São Francisco :O “melting pot” americano

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E então, mataram a charada da semana passada de onde vim parar nos EUA?  Oceano Pacífico, ponte vermelha, bondinho... Só poderia ser mesmo em São Francisco.  Apesar de estar agora rodeado de lindas montanhas cobertas de pinheiros, spruces e aspens (será que conto onde estou? Conto sim, mas somente no final), passei dias muito bacanas na costa oeste americana, onde retorno antes de tomar o avião de volta ao Brasil. 

São Francisco é uma daquelas cidades onde um pouco da essência dos Estados Unidos fica bem evidente por reunir tantas línguas e sotaques de imigrantes de todo o mundo acolhidos em meio aos morros e ladeiras dessa fria cidade costeira.  Porta de entrada da Ásia e próxima do México, a pele morena dos latinos e os olhos puxados dos povos amarelos faz de São Francisco uma verdadeira “melting pot”, literalmente um caldeirão para derreter. 

A expressão “melting pot” vem da ideia do recipente usado para se derreter metais ou outras substâncias, e serve para explicar com essa imagem como pessoas de línguas, culturas, gostos, aparências de todo o jeito e de vários cantos do mundo se unem e se fundem dentro de uma mesma nação, e neste caso uma mesma cidade como São Francisco.  O Brasil tem aos poucos se tornado um país como os Estados Unidos, aceitando nossos vizinhos Latino-Americanos ao longo das últimas décadas, os Haitianos que viram seu país desmoronar após o catastrófico terremoto de 2010, e mais recentemente refugiados Sírios lutando pela vida longe do regime tirano de  Bashar al-Assad.  Mesmo me sentindo como um nervoso visitante na porta de entrada dos EUA, como contei na semana passada, quando ando livre e solto por cidades americanas como São Francisco, sinto que minhas diferenças culturais, meu sotaque, e minha aparência são tratadas com respeito e que os EUA são uma terra que não se cansa de acolher gente de todo o mundo para compor a imensa colcha de retalhos que torna esse país forte e único no mundo. 

São Francisco também possui um clima todo especial.  As pessoas não parecem estar com aquela pressa e impaciência típicas dos habitantes ao norte da costa leste como os Nova Iorquinos ou a lentidão típica dos habitantes do sul como Nova Orleans.  Quem mora em São Francisco parece calmo, tanto para atravessar ruas e subir os muitos morros da cidade, como para os que se locomovem de carro, onde poucos buzinam e onde todos param bem antes da faixa de pedestres mesmo quando não há pedestres atravessando. O excelente sistema de transporte BART, que parte de dentro do terminal do moderno aeroporto da cidade e leva passageiros por todo o centro da cidade e ainda a cidades vizinhas como Oakland e Berkeley, serve de modelo pela sua rapidez, conforto e limpeza.  E como não se encantar com o bondinho que existe desde 1873 e que até hoje é operado manualmente para transportar turistas e moradores que vão da Union Square no centro até o Fisherman’s Wharf já nas bordas das águas geladas do Pacífico?

São Francisco também tem seus problemas de cidade grande como um certo número visível de moradores de rua, talvez devido ao alto preço de moradia na cidade (que também se reflete no alto custo de quartos de hotéis).  Devido a isso, o governo e entidades não governamentais disponibilizam “shelters” ou abrigos onde esses moradores de rua podem passar a noite e obter uma refeição antes de voltar as ruas.  Isso sim é respeito e dignidade estendidos a todos.
Essa não é a primeira vez que visito São Francisco mas dessa vez, depois das muitas subidas e descidas pelos morros da cidade, partí tendo visto um pouco mais sobre a cidade e sobre como podemos sempre aprender como as nossas percepções, aprimorando nossos conhecimentos, e assim sendo, levando pra casa algo de bom e útil dentro da coração.


Estou agora em meio a lindas paisagens do oeste americano refletindo sobre isso tudo e escrevendo como os olhos fixos na linda paisagem das Montanhas Rochosas do Colorado.Estou em uma cidadezinha chamada Vail, que durante a estação de esquí que se aproxima se torna um centro abarrotado de esportistas, celebridades e visitantes que procuram desfrutar da beleza dos picos nevados que estão entre os mais altos dos Estados Unidos.Logo, logo já estou de partida e de volta a costa do Pacífico, mas desta vez a uma cidade bem mais ao sul e bem mais quente, onde o México fica quase ao lado.Não, não é Los Angeles.De lá parto para uma aventura de carro pelos desertos californianos até o estado de Nevada, terminando essa ‘road-trip’ em uma louca cidade que não para nunca e que desponta longe no horizonte por seus neons absurdos e seus cassinos Nababescos.Descobriu minha parada final? Semana que vem acabo com o segredo e prometo que conto tudo! Grande beijo, quase congelando, sob o zero grau deste lindo dia de sol.


Por:Gustavo Dantas
Foto:Reprodução internet

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